Eduardo foi considerado culpado por dois homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores e porte ilegal de arma, além dos cinco estupros. Ele ainda recebeu uma pena de 1 ano e 10 meses de detenção pelo crime de lesão corporal de um dos adolescentes envolvidos no crime, o que soma 108 anos e 2 meses de pena.
Na 'Barbárie de Queimadas', cinco mulheres foram estupradas durante uma festa de aniversário e duas delas foram assassinadas porque teriam reconhecido os agressores. Eduardo Santos foi o último dos envolvidos no crime a ser julgado.
Os jurados ficaram cerca de 2h30 reunidos isolados para definir o veredito e só voltaram ao plenário às 8h. Para a irmã de Isabella Pajuçara, Isania Monteiro, uma das duas mulheres mortas, a justiça foi feita. "Queria agradecer aos movimentos sociais, ao movimento feminista. A espera de mais de dois anos acabou", disse Isania.
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os crimes apontados. "Ele foi condenaedo em todos os crimes listados pelo inquérito policial", destaca.A mãe e a companheira de Eduardo também acompanharam a leitura da sentença, mas não quiseram falar com o G1. Durante o julgamento, Eduardo dos Santos permaneceu cabisbaixo e ouviu atentamente às teses sustentadas pela defesa e pela acusação. Alguns dos depoimentos, a pedido das testemunhas de acusação, não foram acompanhados por ele.
Entre as testemunhas de acusação estavam duas vítimas de estupro, o marido de uma das vítimas, que também estava na festa, e adolescentes que foram sentenciados por envolvimento no crime. A imprensa não foi autorizada a acompanhar os relatos das vítimas, nem dos adolescentes. Além deles, também foram ouvidos um policial militar e um homem que teria vendido lacres do tipo 'enforca gato', usados para prender as mãos das vítimas. Já em defesa de Eduardo Santos, houve apenas uma testemunha: um dos homens já condenados por participação no estupro coletivo, que durante o depoimento assumiu a culpa pelo crime e tentou tirar a responsabilidade de Eduardo.
Defesa
A defesa de Eduardo dos Santos Pereira pediu a absolvição do réu alegando que não existem provas técnicas contra ele. "Peço a absolvição por não existir convicção e por ter provas técnicas que mostram que ele não foi o autor nem dos homicidios, nem dos estupros", afirmou o advogado Artur Bernardo Cordeiro, que integra a equipe de defesa de Eduardo dos Santos O advogado ressaltou que os exames não identificaram resíduos de pólvora
Durante a explanação oral, o advogado Ozael da Costa Fernandes, que também integra a equipe de defesa de Eduardo dos Santos, destacou que houve contradições nos depoimentos das testemunhas de acusação e lembrou que o crime ocorreu na casa de Eduardo e que a esposa dele estava presente. "Ele foi tão vítima quanto as mulheres que foram molestadas", afirmou.
Acusação
Antes do pronunciamento da defesa, o promotor Francisco Sarmento afirmou que a arma usada para assassinar duas das cinco vítimas do estupro coletivo era de Eduardo dos Santos. Segundo o promotor, exames comprovaram que projéteis retirados dos corpos das vítimas eram de arma que pertencia ao réu.
Em sua sustentação oral, o promotor Francisco Sarmento mencionou ainda que um dos adolescentes envolvidos no crime teria recebido a visita de um suposto advogado, que ofereceu a quantia de R$ 50 mil para que a versão dos fatos fosse alterada. Segundo Sarmento, a identidade desse advogado não é conhecida, mas ele acredita que o próprio Eduardo tenha tentado subornar testemunhas, na tentativa de mudar os resultados do júri.
Julgamento
O julgamento de Eduardo dos Santos começou às 14h15 e, mesmo durante a madrugada, o público ainda lotava a plenária do 1º Tribunal do Júri de João Pessoa, no Fórum Criminal.A coordenadora geral de Acesso à Justiça da Coordenadoria de Políticas Públicas para a Mulher da Presidência da República, Aline Yamamoto, está em João Pessoa para acompanhar o julgamento. “A mensagem que esse julgamento passa é que justiça brasileira não tolera violência contra a mulher”, destaca. Aline disse que “governo federal quer se mostrar ao lado da justiça e do governo estadual e se solidariza com as famílias”.
Quatro homens e três mulheres foram sorteados para compor o júri, sendo que a defesa recusou duas mulheres que haviam sido sorteadas. O advogado de defesa de Eduardo, Ozael da Costa Fernandes, afirmou antes do julgamento começar que seu cliente é inocente e que ele não participou do crime.
Segundo Ozael, Eduardo ficou preso em um dos quartos da casa onde o crime aconteceu e que a esposa dele foi uma das estupradas. O advogado garantiu que uma testemunha vai falar a favor do acusado e provar que ele não tem nada a ver com o crime.
Relembre o caso
O crime aconteceu em fevereiro de 2012 e, no mesmo ano, os outros 9 envolvidos já foram julgados. No dia 12 de fevereiro, cinco mulheres foram estupradas e duas delas - a professora Isabela Pajuçara e a recepcionista Michelle Domingos - foram assassinadas na cidade de Queimadas, no Agreste da Paraíba. Elas estavam em uma festa de aniversário em uma casa com dez homens.Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, os estupros foram planejados pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam chamado amigos para abusar sexualmente das mulheres convidadas para a festa de aniversário de Luciano. Segundo informações contidas no processo, o estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.
Seis homens - Luciano dos Santos Pereira, Fernando de França Silva Júnior, Jacó Sousa, Luan Barbosa Cassimiro, José Jardel Sousa Araújo e Diego Rêgo Domingues - foram condenados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro e cumprem penas entre 26 a 44 anos de prisão em regime fechado no presídio de Segurança Máxima PB1, em João Pessoa. Três adolescentes também foram julgados e sentenciados a cumprir medidas socioeducativas no Lar do Garoto. matéria do G1



Eduardo ouviu a sentença depois de 19 horas de julgamento (Foto: André Resende / G1)
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